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Recordações: segredos de um porvir

São muitas as recordações, as que irei esquecer, e as que nunca hei-de lembrar. Como uma árvore e as suas folhas. Fecho os olhos. E, em segredo, relembro aquelas que, num outono, hão-de cair.

  • folhas de outras árvores

  • folhas no chão

    outros ramos

    soundtrack to your escape

    Tu, no espelho onde me vejo terça-feira, agosto 31, 2004 |

    Olho o espelho. Uma figura, nítida o suficiente, parece olhar para mim. Desvio o olhar. Olho-a nos olhos. Esta frontalidade incomoda-me, escondo-me. Procuro o espelho, e ela ameaça aparecer de novo. “Quem és tu, e porque me persegues?”, pergunta ela. “Isso gostava eu de saber”, digo-lhe. “Eu sou tu”, responde.
    - Tu és eu? E como pode isso ser?.. questiono eu. - Só existo um eu, e esse sou eu! Como dizes que és tu?
    - E quem és tu?
    - Ora! Sou eu! Não me vês?
    - Vejo. E esse que tu vês sou eu, ou melhor, és tu. Eu sou esse tu que tu vês, e eu não vejo. Eu só te vejo a ti e tu só me vês a mim.
    - Não! Estás enganado, eu vejo-me a mim! Nem te vejo, nem te conheço! Eu só posso ser uma pessoa, que tu não és. Tu podes ser tu, mas não és eu! Não podem existir duas pessoas iguais. Podem existir duas muito semelhantes, mas não passa disso, semelhanças.
    - E quem te disse que somos iguais? Por acaso já te viste a ti? Não serei eu quem tu vês no espelho, e não tu?
    Saí. Toda esta conversa, que não passava de baboseiras, estava a deixar-me desconcertado. Ele também não se despediu.

    “Por acaso já te viste a ti? Não serei eu quem tu vês no espelho, e não tu?”. Apesar de tudo, esta questão perturbava-me realmente.

    Mas não serei eu apenas uma só pessoa, não terei eu apenas uma só imagem? Se não, quantos mais eu existirão? E serão todos iguais uns aos outros, ou serão todos diferentes, de mim e deles próprios? E ele? Quantos ele existirão?
    Ele só existe ele, mas eu existem muitos. E a ele só o conheço eu. As outras pessoas não o conhecem a ele, conhecem-me a mim.
    E com as outras pessoas, acontecerá o mesmo? Quantos eu existirão para elas? Assim como para mim só existe um elas, para elas só existe um eu, o seu eu, diferente do meu eu e do eu de outra pessoa.
    Então, ninguém me conhece, pelo menos como eu me conheço. Só conhecem a sua representação do que eu sou, e eu só conheço a minha. E mesmo que tentassem transmitir-me a sua representação do que eu sou, nunca me poderia conhecer com eles me conhecem, apenas conheceria a minha representação da sua representação do que eu sou.
    Por certo eu existo, e diferente de cada, em cada um que me conhece, e em cada um que me só viu. Eu sou tantos quantos as pessoas que me conhecem e que me viram. E como posso ser tantos e ser eu ao mesmo tempo?... ser eu e ser tantos ao mesmo tempo é a mesma coisa…
    Como poderemos então gostar de alguém, mesmo conhecer alguém se ela pode ser tantas pessoas diferentes? Não as conhecemos, nem gostamos delas. Conhecemos e gostamos do que elas são para nós. Assim como elas conhecem e gostam do que nós somos para elas.

    Olho o espelho. “Tu de novo?”. Sorrio.
    - Gostava de me conhecer como tu me conheces…
    - Eu também., diz a figura.

    E saio.

    NOTA: ideia original in Um, Ninguém e Cem Mil de Luigi Pirandello.

    sexta feira (uma noite) segunda-feira, agosto 23, 2004 |

    - já são oito menos vinte! é melhor arrancarmos, senão ainda chegamos e aquilo já começou!..
    - oh, mas eu estou cheio de fome, ainda comia qualquer coisa!
    - também eu, mas..
    - e eu!
    - e eu!
    - então tá, vamos comer qualquer coisa só para não ir de estomago vazio, e arrancamos!

    - que horas são?, pergunto eu.
    - são oito horas agora!
    - xii, já é tarde! isso não vem, ou quê?
    chega a comida: dois pratos, um com três sandes, e o outro com duas. sande de perna de porco no espeto. bem, podia estar melhor!..
    - olha a horas! vamos comendo pelo caminho!

    no carro:
    - bolas!, onde é que fica Moimenta da Beira afinal!? já andámos tantos quilómetros e nem uma placa!..
    - por este andar já só vamos ver eles a arrumarem o material!

    - ...já são dez e vinte... o concerto já deve ter começado!
    - não!, aquilo atrasa sempre um bocado!
    - esperamos!

    " <- Rockdemo"
    - olha, é à esquerda! vira à esquerda!
    umas centenas de metros mais à frente, outra placa. estamos a ir bem!

    depois de duas horas de viagem, com duas paragens para pedir informações e saber se estávamos a ir bem encaminhados, chegamos ao recinto!
    hora: 10h 30
    - oh, ainda não começou!

    (o tempo passa.. o recinto vai-se compondo, mesmo assim muito aquém das expectativas. entre as pessoas que vão entrando, um ou outro são conhecidos...e, que frio!!!)

    - são onze e meia, estes gajos de Moimenta abusam, pá!

    hora: 00h 00
    no fim do soundcheck: - boa noite! bem vindos à segunda edição do Rockdemo! estes são os More Than A Thousand e vão abrir o espectáculo!

    actuam durante cerca de meia hora/ quarenta minutos, onde apresentam o seu novo EP "Trailers Are Always More Exciting Than Movies", fazendo algumas passagens ao EP anterior "Those In Glass Houses Shouldn't Throw Stones".
    apesar de se terem enganado numa música logo no início (assim pareceu, pelo menos!..), o concerto não foi mau, pelo contrário! mas já assisti a melhores concertos deles. mas o público também não ajudou... eramos poucos e estavamos todos muito dispersos...
    fecham o concerto com "None Of Us Will See Heaven", sendo a melhor música do concerto.

    a seguir actuavam os TwentyInchBurial e, pelo que tinha ouvido deles, estes rapazes prometiam! e não foram goradas as expectativas! foi o melhor concerto da noite! que presença a do vocalista! nunca os tinha visto ao vivo, mas foi muito porreiro!
    entre antigas músicas mais aplaudidas e melhor conhecidas do EP "The Void We Carry" e novas músicas do novo albúm "How Much Will We Laugh And Smile", deram um excenlente concerto de cerca de quarenta minutos. pedia-se mais!

    (entre os concertos, o local de eleição, pelo menos para nós, era o carro! estava um frio de rachar!)

    a terceira banda eram os The Temple. só tinha ouvido uma música deles, e tão pouco os tinha visto alo vivo alguma vez! não me convenceram... à excepção do baterista que parece ser muito bom tecnicamente! mas o som no conjunto... foram a banda mais aplaudida e em que se notou maior movimento o recinto, mas não o melhor concerto, quanto a mim. apresentaram o novo trabalho "Diesel Dog Sound", sendo, no entanto, as músicas antigas aquelas que maior feedback tiveram por parte do público.

    pelas três horas, terminavam o espectáculo. ainda faltava actuar a banda Heavenwood, mas nós ainda tinhamos duas horas de caminho, resolvemos vir embora.
    a curiosidade também não era muita...

    mas apesar de longe, valeram a pena os tantos quilómetros e a espera!


    zebras segunda-feira, agosto 02, 2004 |

    as zebras... qual a cor das zebras?
    são brancas com listas pretas?, ou são pretas com listas brancas?
    é curioso, para os habitantes de muitas tribos africanas elas são pretas com listas brancas...
    fica aqui a questão.

    desculpa... |

    "vem ter comigo ao J., preciso muito falar contigo...", disse-lhe ele. as saudades dele eram já insuportáveis, e a necessidade de o tocar, de o sentir era quase palpável. as coisas não iam bem, e esta frase lida causara-lhe um aperto tão grande...
    "vamo-nos sentar ali para conversar? tenho algo muito importante para te dizer...", disse-lhe ele, antes de nem um beijo que dissesse "olá!".
    por entre palavras soltas e carícias aumentava a tensão, tornava-se cada vez mais difícil respirar... e esta sensação de mau estar na barriga... nem ela com coragem para perguntar "que me queres dizer de tão importante?", nem ele com alento para lhe contar o que tinha tido o denodo de decidir contar-lhe... outra frase solta, mais uma carícia...um riso de vez em quando...
    "ah,.. não me olhes assim nos olhos, torna-se mais difícil para mim e tenho de arranjar coragem!", pediu-lhe ele.
    - está bem, concordou ela, após o que desviou o olhar.
    respirou fundo. ambos os corações batiam ao mesmo ritmo, apesar de acelerado.
    - eu beijei outra rapariga, confessou-lhe ele.
    (mas... dito assim, desta forma tão peremptória?, perguntou-se ela)
    adivinhara-se o fim, mas por qualquer outra razão... não esta. não podia ser verdade, ele não podia não estar a mentir. mas aquela incapacidade de olhar nos olhos, aquela incerteza do olhar pareceu-lhe tão incontestável. dissipava-se qualquer dúvida...
    o silêncio, e tão pesado mas ao mesmo tempo nada embaraçoso que era, instalou-se por um instante.
    depois... uma lágrima, e um "desculpa...". outra lágrima, agora deixada fugir por ele.
    "nunca pensei", murmurou ela. "sabia que a partir de hoje deixaríamos de ser nós, mas nunca, não, nunca por esta razão... não te achava capaz disto...", prosseguiu, soluçando, à medida que lhe escorriam lágrimas pelo rosto. ele, em silêncio, ia-as enxugando.
    "quem é ela?", procurou saber ela.
    - ahh, não conheces..., respondeu ele.
    - mas... já não gostas de mim?
    - sim, gosto... mas... não sei... estou confuso...
    (porque não disseste logo que não? não teria sido tão doloroso, acha ela)
    - apaixonaste-te por ela, vão namorar?
    - não, não! mas... estou confuso agora, não sei que sinto...
    "desculpa", pediu ele de novo.
    outra lágrima, deixou cair ela...e ele também...

    ... e teria sido uma tarde de verão como as outras... e teriam os restantes dias de verão sido diferentes, não lhe tivesse ele dito isto... não tivesse isto acontecido... pensa ela.